Você deveria fazer uma Dieta de Informação

Você deveria fazer uma Dieta de Informação

O que sabemos sobre os alimentos pode nos mostrar muito sobre como ter um relacionamento saudável com as informações. Um Whopper tem lá o seu correspondente no mundo da informação.

Assim como você pode destruir a sua saúde comendo fast-foods e sorvetes um atrás do outro, consumir informações sem qualidade também pode te trazer efeitos prejudiciais.

O fast-food é um “alimento” baixo em nutrientes e com alto teor de sódio criado para ser preparado e consumido rápido. Ele passa longe de ser uma experiência gastronômica; ele pode até ser gostoso, mas pro seu corpo ele é apenas um quebra-galho pra forrar o estômago.

Existem informações por aí que podem te dar mais pressão alta que o Sódio.

E assim como um Big Mac, há informações que servem só pra forrar a sua mente. A fratura do pé do Neymar, a propaganda do novo Civic, o review do novo iPhone, ou até mesmo a crise atual do SUS: todas estão no mesmo balaio.

Sabe por que?
Porque essas informações tem pouquíssima utilidade para a sua vida na prática.

Pra que saber dos assaltos e mortes que houveram na cidade de São Paulo se você mora em Florianópolis? Saber das queimadas na Amazônia que está a 3500 km de você te conscientizou a fazer alguma coisa a respeito?

Sejamos francos: esse tipo de informação só forra a sua cabeça com coisas sem importância ou no máximo gera algumas discussões que não dão em nada.

Nós somos produtos dos alimentos que ingerimos.
E também produtos da informação que absorvemos.
Temos que tratar informação como comida.

Assim como vão faltar vitaminas essenciais à sua sobrevivência em uma alimentação ruim, uma dieta pobre de boas informações vai deixar você sem embasamento em assuntos que realmente importam para a sua vida.

Olha só um cara consumindo um pote cheio de fofocas!

90% do conteúdo dos noticiários são notícias sobre política, fofocas, crimes e acidentes. A maioria do conteúdo das redes sociais são memes, vídeos de humor, fotos de conhecidos, tragédias e sobre política. Você já reparou que tudo isso é muito parecido entre si? A diferença entre essas informações é que nelas só se mudam o quem e o onde.

“Acidente na BR-169”
“A Operação Lava Jato prende o lobista Fulano de Tal”
“Reynaldo Gianecchini estréia nova peça no Rio de Janeiro”
“Gisele Bundchen aparece sem aliança em evento em Paris”
“Veja o que este simpático cachorro faz quando o dono vai trabalhar”

Esse tipo de fenômeno revela algo curioso: algumas pessoas sabem o que acontece no Brasil e no mundo, mas sequer imaginam quem é o prefeito da cidade onde vivem. Não sabem nem que existe uma praça no bairro onde moram mas estão por dentro das notícias e memes do momento.

Não estou sugerindo que você se torne um alienado e ignore tudo o que há a sua volta, mas sim que seja mais seletivo com a informação que consome. Você não precisa saber de tudo o que acontece no mundo todos os dias.

Procure saber apenas sobre os assuntos que são importantes pra você, pra sua profissão, pra sua família. Saiba o que acontece na sua cidade, veja o que pode mudar ao seu redor e não simplesmente faça doações à programas como o Criança Esperança enquanto alguém está deitado na sua calçada passando frio.

O excesso de informação faz mal. Consumir as informações certas faz um bem danado pra sua cabeça. E pro seu estômago.

Caso você se interesse pelo assunto, eu tenho uma ótima indicação de livro. É o livro ao lado, que se chama A Dieta da Informação, de Clay A. Johnson. Ele é demais, é aquele tipo de livro que você vai ficar digerindo por uns bons dias.